retalhos

Saturday, September 25, 2004

a uma voz...

É quando menos esperamos (quando nos esquecemos que existe) e tocamos, sempre sem lá chegar o nó da vida com a imaginação, que ela vêm de mansinho, melindrada pela própria presença e nos sussurra devagar....

Mais rápido que o pensamento pressente-o o coração, que se torna pequenino e apertado, e ouvindo-o cerra-se-nos a expressão e então não podemos ouvir aquela que se apresenta nua e crua, não porque magoa e não, não queremos acreditar.
De dia, todos culpados daquela sensação e quando caí a noite, caí com ela a razão e essa escorre devagar e inunda sem querer o nosso chão(...).
Nunca estamos preparados para enfrentar o que não faz sentido, não por ser aquilo que é, mas porque invade tudo e todos, torna tudo escuro, mudo e silencioso – devolve-nos rápido as origens: os adultos são uma vez mais apenas assustadas crianças desamparadas, as cores das diferentes peles padecem até não nos darmos conta delas, e o silencio e a natureza os únicos a quem recorrer...
Tudo isto e os mais frágeis e voláteis corpos, encolhidos e apertados nos seus braços entrelaçados parecem, por momentos, suportar nus todo o peso do mundo! (...).